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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Histórias que você precisa conhecer - 11

A provável origem do avivamento que sacudiu o mundo!!!


O despertamento espiritual que sacudiu o mundo religioso no período compreendido entre o final do século XIX e o início do século XX, teve sua provável origem na Europa, e um dos seguimentos do protestantismo que mais contribuiu para isso foi, certamente, o então representado pelos morávios, pois avivamento espiritual e missões são características intimamente ligadas a história desse povo. Oriundo de uma região da antiga Tchecoslováquia, os morávios, mesmo não sendo significativamente numerosos, bem cedo ficaram conhecidos em toda a Europa e em muitas outras partes do mundo por sua piedade, experiência de comunhão com Deus e espírito missionário. Embora ligados ideologicamente ao pensamento religioso luterano, os morávios exerceram forte influência tanto doutrinária quanto evangelística sobre John Wesley, fundador do metodismo. A história desse povo começou quando, em 1722, impelidos pelos ventos da perseguição na Morávia e na Boêmia, viram-se forçados a emigrarem de suas terras e se refugiaram em Herrnhut, uma fazenda pertencente a Nicolaus Ludwig von Zinzendorf, conhecido como o estadista missionário. As diferenças de opinião a respeito das práticas religiosas entre esses novos habitantes de Herrnhut, acabou resultando em muitas desavenças entre eles. Deus, porém, tinha um plano para esse povo, e esse plano no devido tempo se cumpriria.
Ruth A. Tucker descreve a maneira usada por Deus para mudar história desse povo e cumprir Seus planos através dele: “Em 1727 porém, cinco anos depois da chegada dos primeiros refugiados, toda a atmosfera mudou. Um período de renovação espiritual chegou ao clímax em um culto de comunhão a 13 de agosto com um grande reavivamento que, segundo os participantes, marcou a chegada do Espírito Santo em Herrnhut. Seja o que for que possa ter acontecido no reino espiritual, não há dúvida de que essa grande noite de reavivamento trouxe com ela uma nova febre pelas missões, que tornou-se a principal característica do movimento morávio. As pequenas diferenças doutrinárias deixaram de ser pretexto para discussões. Em lugar disso, havia um forte espírito de unidade e uma dependência maior de Deus. Foi iniciada uma vigília de oração que continuou noite e dia, sete dias por semana, sem qualquer interrupção por mais de cem anos” (Até os Confins da Terra, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1986, p.73 e 74).
Sob os efeitos da oração e espiritualmente influenciados e fortalecidos pelo poder do Espírito Santo, os morávios passaram, algum tempo depois, a desempenhar um importante papel no campo das missões. Levaram a mensagem de Cristo às Ilhas Virgens, Groenlândia, América do Norte, Lapônia, América do Sul (notadamente no Suriname), África do Sul, Índias ocidental e oriental, etc. Para a América do Norte, Zinzendorf não só enviou missionários; ele próprio esteve lá, tendo contribuído também para que esse país se tornasse mais tarde, um grande celeiro de missionários. E se destacamos o papel desse povo é porque admiramos o exemplo que deixou no tocante a importância dada à oração e a utilização da força que dela resulta, que é o serviço missionário. A oração tem sido, em toda a história da Igreja, o principal caminho para se chegar a uma vida espiritualmente avivada.

FONTE:http://portaliap.com.br/

sábado, 26 de abril de 2014

Evangelize-já

Olha só o que uma galera abençoada fez para falar do amor de Deus, eles bolaram uma forma bem diferente de fazer um evangelismo de rua, totalmente fora do padrão, algo chamado hoje de evangelismo criativo.
Ser igreja dentro dos templos é fácil, tome uma atitude diferente, vá falar do amor de Deus nas ruas, nas praças, vá onde realmente precisam ouvir sobre o amor de Deus, reúna sua galera, pensem em algo diferente pra fazer na sua cidade/região, talvez seja algo totalmente louco que ninguém nunca fez antes! Monte um grupo de oração para interceder por vocês, peça ajuda/cobertura ao seu pastor e vai falar de Cristo por aí!!!!
Você já evangelizou alguém hoje?




domingo, 5 de agosto de 2012

Avivamento!!


Eu já falei aqui sobre a história de avivamento da Rua Azuza, achei um vídeo que é um documentário completo da mesma história que contei antes, achei impressionante o vídeo, então pra quem gosta de imagens, vídeos, documentário e narração, esse é um prato cheio...





Que Deus abençoe a você e a toda sua família!
Fica na PAZ do Senhor Jesus!

terça-feira, 6 de março de 2012

Histórias que você precisa conhecer - 7

O Avivamento que estremeceu a Coreia
Por Jonathan Goforth, DD (1859-1936)
(Missionário Pioneiro na China)



Escrevo sobre o Avivamento na Coreia porque ele teve um grande significado para a minha vida. Não conseguirei colocar em papel tudo sobre os sacrifícios e o que alcançaram os Cristãos na Coreia sem sentir-me envergonhado e sem ficar a pensar como fiz tão pouco pelo meu Senhor e Mestre. Vi, muitas vezes, plateias de Cristãos chineses chorarem de quebrantamento ao ouvirem os relatos e as histórias deste avivamento. Se qualquer um de vós se apercebesse com alguma regularidade de que “foram comprados por um preço”, certamente que também sucumbiriam em humilhação e vergonha ouvindo estas histórias dos triunfos do Evangelho na Coreia. Foi durante o ano do Grande Avivamento, em 1907, que tive oportunidade de visitar oito dos maiores centros missionários na Coreia. Quando regressei à China, compartilhei com os Cristãos Chineses em Mukden todos os factos que presenciei e todos eles ficaram profundamente afectados com tudo o que ouviram. Fui para Pei Tai Ho e contei aos missionários ali presentes como Deus estava sendo gracioso para os Cristãos na Coreia; vi, então, algumas lágrimas escorrendo pelos rostos e alguns votos determinados que orariam a Deus até que tivessem obtido igual bênção na China. Depois disso, fui convidado a visitar Chi Kung Shan, um outro campo missionário, para trazer os relatos do que presenciei na Coreia. Contei as histórias no Domingo à noite. Ao terminar o meu relato, ocorreu-me ter-me prolongado muito no sermão e encerrei o culto com uma bênção muito rápida. Mas, ninguém se mexeu dos seus assentos. Reinava um silêncio de morte na sala. Aquele silêncio durou uns seis ou sete minutos e, de repente, o choro que todos tentavam reprimir espalhou-se pela sala. Pecados estavam sendo confessados abertamente; pedidos de perdão eram feitos uns aos outros por impaciências e faltas de respeito e muitos outros pecados. Já era muito tarde quando terminou o culto. Mas, todos haviam sentido que o Espírito Santo nos havia visitado daquela vez, limpando o nosso meio como que refinando o ouro pelo fogo. Logo de seguida, tivemos quatro dias dedicados à oração e a conferências. Foi um tempo muito abençoado e dos mais maravilhosos que alguma vez tive oportunidade de presenciar entre missionários. Decidimos que oraríamos todos os dias às 4:00 da tarde até que a Igreja da China tivesse obtido igual Avivamento. Nesse mesmo Outono, começamos a ver o poder de Deus em nosso meio. Deus manifestou-se entre o povo e o Avivamento aumentou de proporção e qualidade logo de seguida, no ano 1908 em Manchuria e em outros locais.


Há uma leitura mais extensa e detalhada sobre o avivamento na Coréia, basta clicar aqui.

Que o Senhor Jesus abençoe a você e a toda sua familia!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Histórias que você precisa conhecer - 6

OS AVIVAMENTOS EM COLUMBIA, E NA CIDADE DE NOVA IORQUE


De Lancaster, em meados do verão de 1830, retornei para o condado de Oneida, Nova Iorque, e passei algum tempo na casa de meu sogro. Creio que foi nessa época, durante minha estada em Whitestown, que ocorreu uma situação muito interessante, e que relatarei. Um mensageiro veio da cidade de Columbia, no condado de Herkimer, solicitando que eu fosse ajudar na obra da graça naquele lugar, e que já havia começado. Tudo me foi apresentado de tal forma que fui induzido a ir. Contudo, não esperava permanecer ali na época, eu tinha outros convites, convites com mais pressão para trabalhar. Então, fui até lá para ver e para ajudar como podia, por um curto tempo.

Em Columbia havia uma grande igreja Alemã, cujos membros haviam sido aceitos, como dita seu costume, mediante exame de seus conhecimentos doutrinários, ao invés de sua experiência cristã. Por conseqüência, a igreja formara-se em sua maioria, como fui informado, de pessoas não convertidas. Tanto a igreja quanto a congregação eram muito grandes. Seu pastor era um homem jovem de nome H. Ele era descendente de alemães, natural da Pensilvânia.

Expôs-me a situação em Columbia e a si mesmo da seguinte forma. Ele disse que estudara teologia com um alemão doutor em divindade, no lugar onde vivia, alguém que não encorajava de forma alguma a religião experimental. Ele disse que um de seus colegas estudantes tinha uma inclinação religiosa, e costumava orar em seu quarto. Seu professor suspeitou disso, e de alguma maneira veio a saber do fato. Então aconselhou o jovem a parar, pois era uma prática muito perigosa, e ficaria louco se persistisse nela, e que depois ele seria o culpado por deixar que um aluno seguisse tal caminho. O Sr. H assumia que ele mesmo não tinha religião alguma. Ingressara na igreja pelo meio comum, e não achava que nada mais era necessário, no que diz respeito à devoção, para tornar-se um pastor. Mas sua mãe era uma mulher devota. Ela sabia da verdade, e ficava muito angustiada ao ver que um filho seu entraria no ministério sem jamais ter-se convertido. Quando ele recebeu um chamado para a igreja em Columbia, e estava prestes a sair de casa, sua mãe teve uma conversa muito séria com ele, pressionou-o sobre o fato de sua responsabilidade, e algumas coisas que ela disse causaram poderoso impacto em sua consciência. Ele disse que não conseguia esquecer essa conversa com sua mãe, que se mantinha com peso em sua mente, e suas convicções de pecado aprofundavam-se até quase levá-lo ao desespero.

Isso se estendeu por meses. Ele não tinha ninguém com quem se aconselhar, e não abria seu coração para nenhuma pessoa. Mas depois de uma severa e prolongada peleja, ele se converteu, veio para a luz, viu onde estava e onde havia estado, viu a condição de todas aquelas igrejas que tinham admitido seus membros da forma em que ele mesmo fora admitido. Sua esposa não era convertida. Ele imediatamente entregou-se a trabalhar para que ela se convertesse, e por Deus, logo conseguiu. Sua alma estava tomada por esse assunto, ele lia sua bíblia, orava e pregava com todas as suas forças. Mas ele era um jovem convertido, e não tivera a instrução necessária, então se sentiu perdido quanto ao quê fazer. Ele ia pela cidade, conversava com os presbíteros da igreja, conversava com os principais membros, e convencera a si mesmo de que um dos dois dos líderes entre os presbíteros, e muitas das senhoras de sua igreja, eram convertidos de fato.

Depois de muita oração e consideração, ele decidiu o que tinha que fazer. No domingo ele anunciou a todos que haveria uma reunião da igreja, num certo dia durante a semana, para a transação de negócios, e queria que todos os membros, em especial, estivessem presentes. Sua própria conversão, pregação, visitas e conversas pela cidade já tinham criado bastante agitação, de forma que a religião tornara-se um tópico comum de discussão, e seu chamado para uma reunião da igreja foi atendido, de modo que no dia marcado, quase todos estavam presentes.

Ele então lhes falou a respeito da verdadeira situação da igreja, e o erro no qual havia caído quanto às condições sob as quais os membros eram admitidos. Ele fez um discurso, parte em alemão, parte em inglês, para que todas as classes o entendessem, e depois de falar até que estivessem bastante comovidos, ele propôs desengajar a igreja e formar uma nova, insistindo que isso era essencial para a prosperidade da religião. Ele tinha um acordo com aqueles membros da igreja que acreditava serem realmente convertidos, para que liderassem a votação a favor de desmanchar a igreja. Isso foi movido para votação, mediante ao pedido feito por esses membros convertidos. Eles eram membros muito influentes, e as pessoas ao olharem em volta e vê-los de pé, levantaram-se, e por fim continuaram colocando-se de pé até quase a unanimidade. O pastor então disse "Agora não existe nenhuma igreja em Columbia.", e propôs para que formassem uma de cristãos, pessoas que se haviam convertido.

Então, diante da congregação, ele relatou sua própria experiência, chamou sua esposa, e ela fez o mesmo. Então seguiram os presbíteros e membros que eram convertidos, um após o outro, prosseguindo enquanto todos que pudessem relatar uma experiência cristã viessem à frente. Esses prosseguiram para formar uma igreja. Ele então disse para os outros "Suas relações com a igreja estão terminadas. Vocês estão no mundo e até que se convertam, e voltem para a igreja, não poderão batizar seus filhos, e não poderão participar das ordenanças da igreja." Isso gerou um grande pânico, pois de acordo com suas visões, era algo terrível não participar do sacramento, ou não batizar os filhos, porque essa era a maneira pela qual eles mesmos haviam-se tornado cristãos.

Sr. H então trabalhou com todas as suas forças. Ele visitava, pregava, orava, realizava reuniões, e o interesse aumentava. Dessa forma a obra já vinha acontecendo por algum tempo, quando ele escutou falar que eu estava no condado de Oneida, e enviou-me um mensageiro. Encontrei nele um jovem convertido de coração ardente. Ele escutava minhas pregações com uma alegria quase incontrolável. Encontrei uma congregação grande e interessada, e até onde pude julgar, a obra estava num estado muito próspero e saudável. O avivamento continuou a se espalhar até alcançar e converter quase todos os habitantes da cidade. Galesburg, em Illinois, fora fundada por uma colônia de Columbia, e quase todos ali foram convertidos, eu acredito, pelo avivamento. O fundador da colônia e da Faculdade Knox, localizada ali, era o Sr. Gale, meu antigo pastor em Adams.

Contei os fatos, como me lembro deles, como relatados a mim pelo Sr. H. Eu achava que suas visões eram evangélicas, e seu coração ardente, e ele estava rodeado por uma congregação tão interessada em religião quanto se podia desejar.

Eles fixavam sua atenção, conforme eu apresentava a eles o Evangelho de Cristo, com um interesse e paciência tal, que afetava e muito, sendo bastante interessante. O próprio Sr. H era como uma criancinha, ensinável, humilde e sincero. Essa obra continuou por mais de um ano, como vim a saber, espalhando-se por toda aquela grande e interessante população de fazendeiros.

Depois que retornei de Whitestown, fui convidado a visitar a cidade de Nova Iorque. Anson G Phelps, desde que conhecido como um grande colaborador voluntário das principais instituições benevolentes de nosso país, sabendo que eu não havia sido convidado aos púlpitos daquela cidade, alugou uma igreja vazia na Rua Vandewater, e enviou-me um pedido urgente para que fosse pregar lá. Eu fiz isso, e um poderoso avivamento aconteceu. Encontrei o Dr. Phelps muito engajado na obra, e não hesitando promovê-la a qualquer custo. A igreja que alugara só poderia ser ocupada por três meses. Por isso o Sr. Phelps, antes que os três meses acabassem, comprou uma igreja na Rua Prince, perto da Broadway. Essa igreja havia sido construída pelos Universalistas, e foi vendida ao Sr. Phelps, que comprou e pagou por ela de seu próprio bolso. Da Rua Vandewater, formos portanto, para a Rua Prince, e ali formamos uma igreja, em sua maioria de pessoas que se haviam convertido durante nossas reuniões na Rua Vandewater. Continuei meus trabalhos na Rua Prince por alguns meses, creio que até ao final do verão.

Eu fiquei muito impactado, durante minhas obras ali, com a devoção do Sr. Phelps. Enquanto estávamos na Rua Vandewater, eu, minha esposa e nosso único filho éramos hóspedes de sua família. Eu percebi que, enquanto o Sr. Phelps era um homem literalmente carregado de negócios, de alguma forma ele preservava um elevado estado de espírito e mente, e que vinha diretamente do trabalho para nossas reuniões de oração, entrando nelas com tal espírito, que demonstrava claramente que sua mente não estivera tão absorta nos negócios a ponto de excluir as coisas espirituais. Ao observá-lo dia após dia, fiquei cada vez mais interessado em sua vida interior, e como ela era manifestada em sua vida exterior. Certa noite tive que ir até lá embaixo, creio que por volta da meia-noite, para pegar alguma coisa para nosso bebê. Eu supunha que toda a família estaria dormindo, mas para minha surpresa, encontrei o Sr. Phelps sentado perto da lareira, de pijamas, e vi que havia interrompido seu devocional particular. Desculpei-me dizendo que havia suposto que ele estaria dormindo. Ele respondeu "Irmão Finney, tenho muitos negócios me pressionando durante o dia, e tenho pouquíssimo tempo para meu devocional particular, e meu hábito é, depois de tirar um cochilo à noite, levanto-me para ter um período de comunhão com Deus." Depois de sua morte, que ocorreu há poucos anos, descobri que ele mantinha um diário durante essas horas da noite, totalizando vários livros manuscritos. Esse diário revelava as obras secretas de sua mente, e o real progresso de sua vida interior

Eu nunca soube o número de pessoas que se converteram enquanto eu estava nas ruas Prince e Vandewater, mas deve ter sido grande. Houve um caso de conversão que não posso omitir. Uma jovem visitou-me certo dia, grandemente convicta do pecado. Conversando com ela, vi que tinha muitas coisas em sua consciência. Ela tinha o hábito de furtar coisas de pouco valor, como me disse, desde a infância. Ela era filha única, eu acho, de uma senhora viúva, e tinha o hábito de pegar de seus colegas de escola e outros, lencinhos, broches, lápis, e qualquer coisa que tivesse a oportunidade de roubar. Ela fez uma confissão a respeito dessas coisas para mim, e perguntou-me o que deveria fazer sobre isso. Eu disse que ela deveria ir e devolver tudo, confessando àqueles de quem furtara.

É claro que isso foi um grande teste para ela, mas ainda assim suas convicções eram tão profundas que não podia continuar com aquelas coisas, então começou a tarefa de confessar e restituir. Mas conforme ela continuava com isso, continuava a lembrar de mais e mais circunstâncias como essas, e continuava a visitar-me com freqüência, confessando a mim seus roubos de quase todo o tipo de objeto que uma jovem pode usar. Perguntei-lhe se sua mãe sabia dessas coisas. Ela disse que sim, mas ela sempre dissera a sua mãe que havia ganhado tudo. Ele me disse numa certa ocasião "Sr. Finney, eu acho que roubei um milhão de vezes. Descobri que tenho muitas coisas que sei que roubei, mas não me lembro de quem." Recusei-me a aceitar que ela parasse, e insisti que continuasse a fazer sua restituição de todos os casos nos quais pudesse se lembrar corretamente. De tempos em tempos ela vinha até mim e contava o que fizera. Eu perguntei a ela o que as pessoas diziam quando ela devolvia os artigos. Ela respondeu "Alguns dizem que eu sou louca ou dizem que sou tola, e outros ficam muito comovidos.".

"Todos lhe perdoam?" Eu perguntei. "Ah, sim!" disse ela, "todos me perdoam, mas alguns acham que eu não deveria estar fazendo isso."

Um dia ela me contou que tinha um xale que roubara de uma filha do Bispo Hobart, então Bispo de Nova Iorque, que morava na Praça St. John, próximo à igreja St. John. Como de costume, disse-lhe que ela tinha que devolver. Poucos dias depois, fez-me uma visita e relatou-me o resultado. Ela disse que embrulhou o xale em um papel, foi com ele até lá, tocou a campainha da casa do Bispo, e quando o empregado veio, ela entregou-lhe o pacote, dizendo que era para o Bispo. Não deu nenhuma explicação, mas foi imediatamente embora, e correu virando a esquina para outra rua, a fim de que ninguém visse para onde ela foi e descobrisse quem ela era. Mas depois de dobrar a esquina, sua consciência pesou, e ela disse a si mesma "Eu não fiz isso direito. Podem suspeitar que outra pessoa tenha roubado o xale, a menos que eu vá até o Bispo e deixe claro quem o fez."

Ela virou, voltou imediatamente, e perguntou se poderia falar com o Bispo. Sendo informada que poderia, foi conduzida até seu escritório. Ela então confessou a ele, contando sobre o xale e tudo que se passara. "Bem," disse eu, "e como o Bispo a recebeu?" "Ah," ela disse "quando eu contei, ele chorou, colocou sua mão sobre minha cabeça e disse que me perdoava, orando a Deus que me perdoasse também." "E tem estado em paz com sua mente sobre isso desde então?" eu perguntei. Ela respondeu "Ah, sim!" Esse processo continuou por semanas, e acho que até por meses. Essa jovem ia de lugar em lugar, em todas as partes da cidade, restituindo as coisas que roubara, e confessando. Às vezes suas convicções eram tão terríveis, que ela parecia enlouquecer.

Certa manhã ela mandou chamar-me para ir até a casa de sua mãe. Eu fiz isso, e quando cheguei lá fui levado ao quarto dela, e encontrei-a com seu cabelo caído sobre os ombros, suas roupas desarrumadas, andando de um lado para o outro em agonia e desespero, e com um olhar que era assustador, porque indicava que ela estava à beira da loucura. Eu disse "Minha filha querida, qual é o problema?" Ela segurava em suas mãos um pequeno Testamento enquanto andava. Virou-se para mim e disse "Sr. Finney, eu roubei esse testamento. Eu roubei a palavra de Deus; será que Deus algum dia vai me perdoar? Não consigo me lembrar de qual das meninas roubei. Eu roubei de uma de minhas colegas da escola, e faz tanto tempo que realmente havia me esquecido de tê-lo roubado. Lembre-me disso esta manhã, e sinto que Deus jamais poderá perdoar-me por roubar Sua palavra." Assegurei-lhe que não havia razões para seu desespero. "Mas, o que devo fazer? Não consigo me lembrar de quem peguei." ela disse. Então eu falei "Guarde como um lembrete constante de seus antigos pecados, e use para o bem que pode agora tirar dele."

Ela disse "Ah, se ao menos pudesse me lembrar de onde peguei, devolveria no mesmo instante." "Bem." Disse eu, "se algum dia se lembrar, faça uma restituição na hora, seja ao devolver esse ou dando um novo." "Farei isso."

Todo esse processo era muito preocupante para mim, mas conforme prosseguiu, o final dessas transações resultou em uma transformação realmente maravilhosa de sua mente. Uma profundidade de humildade, um conhecimento profundo de si mesma e de suas transgressões, um coração quebrantado, um espírito contrito, e por fim uma fé, alegria, amor e paz, como um rio, aconteciam, e ela se tornou uma das mais fascinantes jovens convertidas que já conheci.

Quando se aproximou o tempo em que eu esperava deixar Nova Iorque, pensei que alguém na igreja pudesse ser seu conhecido, e poderia cuidar dela. Até essa época, tudo que se passara entre nós era segredo, mantido assim por mim mesmo. Mas como eu estava prestes a ir embora, contei o fato para o Sr. Phelps e a narração afetou-o grandemente. Ele disse "Irmão Finney, quero conhecê-la. Eu serei seu amigo, cuidarei do bem dela." Ele fez isso, como eu soube depois. Já não vejo essa jovem há muitos anos, creio de desde que relatei tudo ao Sr. Phelps. Mas quando voltei da Inglaterra da última vez, em visita a uma das filhas do Sr. Phelps, no meio da conversa esse caso foi mencionado. Eu então perguntei "Seu pai apresentou-lhes essa jovem?" "Ah, sim!" ela respondeu, "nós todas a conhecíamos" querendo dizer, eu suponho, todas as filhas da família. Eu disse "Bem, o que você sabe dela?" Ela respondeu "Ah, ela é uma cristã muito sincera. É casada e seu marido tem negócios nesta cidade. Ela faz parte da igreja e mora naquela rua", apontando para o lugar, não muito longe de onde estávamos. Então perguntei "Ela sempre manteve um caráter cristão consistente?" "Ah, sim!" foi a resposta, "é uma mulher excelente, mulher de oração." De alguma maneira fui informado, não me recordo agora da fonte dessa informação, de que a jovem dissera que jamais teve a tentação de furtar, desde sua conversão, que nunca mais soubera o que era ter o desejo de fazer isso.

Esse avivamento preparou o caminho, em Nova Iorque, para a organização das igrejas Presbiterianas Livres na cidade. Essas igrejas eram mais tarde compostas, na maior parte, pelos que se converteram no avivamento. Muitos deles haviam sido parte da igreja na Rua Prince.

A essa altura de minha narrativa, a fim de que sejam compreendidas muitas coisas que devo dizer de agora em diante, devo dar conta de algumas coisas sobre as circunstâncias ligadas à conversão do Sr. Lewis Tappan, e sua conexão posterior com minhas próprias obras. Esse relato recebi dele mesmo. Sua conversão ocorreu antes de sermos apresentados, sob as seguintes circunstâncias: Ele era um Unitário, e vivia em Boston. Seu irmão Arthur, era na época, um dos maiores mercantes em Nova Iorque, era um homem cristão sincero e ortodoxo. Os avivamentos na área central de Nova Iorque haviam criado bastante agitação entre os Unitários, e seus jornais publicavam muitas coisas contra esses movimentos. Em especial haviam histórias estranhas sobre mim, que me apresentavam como um fanático meio louco. Essas histórias haviam sido relatadas à Lewis Tappan pelo Sr. W, um dos principais ministros Unitários de Boston, e ele acreditou nelas. Elas eram aceitas por muitos dos Unitários na Nova Inglaterra, e por todo o Estado de Nova Iorque.

Enquanto essas histórias circulavam, Lewis Tappan visitou seu irmão Arthur em Nova Iorque, e um dia começaram a conversar sobre esses avivamentos. Lewis chamou a atenção de Arthur para o estranho fanatismo ligado à esses avivamentos, especialmente para o que se dizia sobre mim. Ele acreditava que eu declarava publicamente ser o general da brigada de Jesus Cristo. Isso, e outras histórias parecidas estavam em circulação, e Lewis insistia em sua veracidade. Arthur não acreditava de forma alguma e disse a Lewis que eram todas sem sentido e falsas, e que ele não deveria acreditar em nenhuma delas. Lewis, apoiando-se nas declarações do Sr. W, propôs uma aposta de quinhentos dólares, dizendo que podia provar que os artigos eram verdadeiros, especialmente o já mencionado. Arthur respondeu "Lewis, você sabe que eu não faço apostas, mas vou dizer o que farei. Se você puder provar por um testemunho digno de crédito, que aquilo é verdade, e que os artigos sobre o Sr. Finney são verdade, eu lhe darei quinhentos dólares. Faço essa oferta para levá-lo a investigar. Quero que você veja que essas histórias são falsas e que a fonte de onde vêm é totalmente indigna de confiança." Lewis, não duvidando que conseguisse a prova, pois tais coisas haviam sido não confiantemente acreditadas pelos Unitários, escreveu uma carta para o Rev. Sr. P, um pastor Unitário em Trenton Falls, Nova Iorque, a quem o Sr. W referira-se, e autorizou-o a gastar quinhentos dólares, se necessário fosse, para conseguir testemunhos suficientes para provar que a história era verdade, e testemunhos tais que levariam a convencer um júri de corte. O Sr. P, de acordo com isso, começou a procurar testemunhos, mas depois sofrer muito, não conseguiu nenhum, exceto pelo que havia em um pequeno jornal Universalista, publicado em Buffalo, no qual havia sido declarado que o Sr. Finney clamava ser o general da brigada de Jesus Cristo. Em lugar nenhum ele conseguia sequer a menor prova de que o artigo era verdadeiro. Muitas pessoa haviam escutado, e acreditado, que eu dissera essas coisas em algum lugar, mas conforme ele seguia os artigos de cidade em cidade, por seus correspondentes, pode ver que tais coisas não haviam sido ditas em lugar nenhum.

Isso, junto com outros problemas, ele disse, levou-o a refletir seriamente sobre a natureza da oposição, e sobre a fonte de onde viera. Sabendo da ênfase dada a essas histórias pelos Unitários, e do uso que fizeram delas para se oporem aos avivamentos em Nova Iorque e em outros lugares, sua confiança neles ficou extremamente abalada. Assim, seu preconceito contra os avivamentos e contra o povo ortodoxo diminuiu. Ele foi levado a rever as escritas teológicas dos Ortodoxos e Unitários com grande seriedade, e o resultado foi que adotou as visões ortodoxas. A mãe dos Tappans era uma mulher de muita oração, mulher de Deus. Ela jamais tivera nenhuma simpatia pelo Unitarismo. Ela tinha vivido uma vida de oração, e deixara uma forte impressão sobre seus filhos.

Logo que Lewis Tappan se converteu, tornou-se tão firme e zeloso em seu apoio às visões ortodoxas e avivamentos religiosos, quanto fora em sua oposição a eles. Na época em que saí de Nova Iorque, depois de minha sobras nas ruas Vandewater e Prince, o Sr. Tappan e alguns outros bons irmãos ficaram insatisfeitos com a situação em Nova Iorque, e depois de muita oração e consideração, decidiram organizar uma nova congregação, e introduzir novos métodos para a conversão dos homens. Conseguiram um lugar para adorar, e chamaram o Rev. Joel Parker, que então era pastor da Terceira Igreja Presbiteriana em Rochester, para vir ajudá-los. O Sr. Parker chegou a Nova Iorque e começou sua obra, creio que na mesma época em que encerrei as minhas na rua Prince. A Primeira Igreja Presbiteriana Livre foi formada em Nova Iorque nessa época, e o Sr. Parker tornou-se seu pastor. Eles trabalhavam especialmente em meio àquele grupo da população que não tinha o costume de participar de reuniões em lugar nenhum, e foram muito bem-sucedidos. Acabaram por erguer o segundo piso de alguns armazéns na rua Dey, que comportavam uma boa congregação, a ali continuaram com suas obras.

por Charles G. Finney

sábado, 3 de dezembro de 2011

Histórias que você precisa conhecer - 5


OS MORAVIANOS E AS MISSÕES.

Ide...

Wiliam Carey é considerado o pai das missões Protestantes, primariamente pelo fato de ter ele fundado a Sociedade Missionária Batista. Tal sociedade teve seu início em 1792, 275 anos após Martinho Lutero ter afixado as Noventa e Cinco Teses à entrada da Igreja de Wittemberg em 1517. Essa sociedade foi um veículo Protestante para o envio de missionários ao mundo não-cristão. Carey, contudo, não inventou o movimento missionário Protestante. Ele construiu a plataforma da qual o movimento missionário Protestante tinha lançado, de uma série de pranchas cortadas durante séculos, entre Lutero e ele. Uma dessas pranchas foi o Pietismo, um movimento evangélico interdenominacional e internacional, que procurava revitalizar a igreja existente, através de pequenos grupos dedicados ao estudo da Bíblia, oração, responsabilidade mútua e missões. August Hermann Francke definiu a agenda do Pietismo em apenas doze palavras: “uma vida mudada, uma igreja reavivada, uma nação reformada, um mundo evangelizado”. O Pietismo primeiramente despertou uma visão missionária entre os protestantes, enviando missionários para a Índia e Groelândia.

Duas outras pranchas significativas na plataforma de Carey foram a Igreja Moraviana e os Puritanos. Os Moravianos foram os primeiros Protestantes a colocar em prática a idéia de que a evangelização dos perdidos é dever de toda a igreja, e não somente de uma sociedade ou de alguns indivíduos. Anteriormente, a responsabilidade pela evangelização havia sido lançada nos degraus dos governos, através das atividades colonizadoras deles. Os Moravianos, contudo, criam que as missões são responsabilidade de toda a igreja local. Paul Pierson, missiólogo, escreveu: “Os Moravianos se envolveram com o mundo de missões como uma igreja, isto é, toda a igreja se tornou uma sociedade missionária”. Devido ao seu profundo envolvimento, esse pequeno grupo ofereceu mais da metade dos missionários Protestantes que deixaram a Europa em todo o século XVIII.

De fato a história dos Moravianos antecede à Reforma. Conhecidos originalmente como os Unitas Fratrum, ou a Unidade dos Irmãos, esses cristãos Checos foram os seguidores do mártir John Huss, um Reformador antes da Reforma. Ele foi martirizado em 6 de julho de 1415, e os Moravianos honram sua morte no calendário deles ainda hoje.

Após a morte de Huss, seus seguidores, que foram muitas vezes conhecidos como Hussitas, ou como os Irmãos Boêmicos, experimentaram um verdadeiro ressurgimento. Eles se reorganizaram no ano de 1457, e no tempo da Reforma havia entre 150 a 200 mil membros em quatrocentas igrejas por toda a Europa Central. Mas, no levante das guerras dos 1600, a Boêmia e Morávia (Repúblia Checa) foram dominadas por um rei católico romano, o qual desencadeou uma terrível perseguição contra os Moravianos. Quinze de seus líderes foram decapitados. Os membros da igreja foram mandados para os calabouços e para as minas para trabalhos forçados. As escolas deles foram fechadas. Bíblias, hinários, catecismos e escritos históricos foram totalmente queimados. Foram todos espalhados. De fato, 16 mil famílias, repentinamente, se tornaram refugiadas. Por quase cem anos procuravam fugir da perseguição. Por causa disso formaram uma poderosa rede de cristãos “clandestinos” através de pequenas células.

Anos mais tarde, em 1722, um pequeno grupo desses refugiados estava à procura de algum lugar onde pudesse se sentir seguro. Quando cruzaram a divisa da Alemanha, ouviram de um lugar conhecido como Herrnhut, uma pequena faixa de terra na propriedade de Nicholas Ludwig von Zinzendorf. Pediram se podiam ficar ali. Zinzendorf não estava no momento, mas o administrador lhes permitiu acampar-se no sítio.

Zinzendorf, um aristocrata, tivera ligações anteriores com o movimento Pietista. Seu padrinho fora Philip Spener. Quando tinha dez anos foi enviado para estudar em Halle, onde seu professor fora August Hermann Francke. No período que lá estivera, seu mentor foi Bartholomew Ziegenbalg , o primeiro missionário Protestante para a Ásia, que estava de férias (tipo de ano sabático).

Zinzendorf descreveu sua vida em Halle da seguinte maneira: “Encontros diários na casa do professor Francke; relatórios edificantes concernentes ao reino de Cristo; conversa com testemunhas da verdade em regiões longínquas; contato com diversos pregadores; luta dos primeiros exilados e prisioneiros. A satisfação daquele homem de Deus e a obra do Senhor juntamente com várias provações que o envolveram, fizeram crescer meu zelo pela causa do Senhor de uma maneira poderosa”.

Enquanto Zinzendorf esteve em Halle, foi um instrumento na formação da primeira sociedade missionária de estudantes Protestantes chamada de a “Ordem do Grão de Mostarda”. depois disso foi para Wittemberg para estudar Direito devido seus pais não aceitarem a idéia de ele se tornar um pregador. Quando concluiu o curso de Direito, fez uma grande viagem turística pela Europa, o que era comum para os membros da aristocracia daqueles dias. Como parte dessa viagem, foi a um museu de arte em Dusseldorf, Alemanha, e lá viu um quadro do “Cristo de Coroa de Espinho”, com a seguinte inscrição: “Eu fiz isto por ti; o que fazes tu por mim?”.

Isso lhe causou uma profunda impressão e o levou a escrever em seu diário: “Tenho amado-o por longo tempo, mas realmente nada tenho feito por ele. De agora em diante farei tudo que me seja dado fazer”. Voltou para Herrnhut para onde os refugiados Moravianos formaram uma comunidade com cerca de trezentos membros. Zinzendorf assumiu a responsabilidade, não apenas supervisionando como dono da terra onde viviam, mas sim para lhes servir de pastor. Em 1727 um derramar do Espírito de Deus uniu a comunidade.

Cinco anos mais tarde, em 1732, Zinzendorf foi convidado a assistir a coroação do rei Dinamarquês (ele estava ligado à família real na Dinamarca). Enquanto lá, descobriu o produto das missões Dinamarca-Halle: alguns convertidos Esquimós da Groelândia e uma pessoa convertida do Oeste da Índia, um primeiro escravo cujo nome era Anthony. Tais pessoas fizeram um apelo a Zinzendorf: “Você não pode fazer alguma coisa para nos enviar como missionários?”. Seu coração ficou muito quebrantado. Voltou para a comunidade e lançou diante dela o desafio para o envio de reforços missionários para a Groelândia, Índia e outras partes do mundo onde pessoas não conheciam a Cristo. Vinte e seis pessoas imediatamente se ofereceram como voluntárias, e, assim, o Movimento Missionário Moraviano foi lançado. Nos vinte e oito anos seguintes mais do que duzentos missionários Moravianos entraram em mais de doze países para implantação de trabalho missionário em torno do mundo.

O trabalho dos Moravianos foi guiado por um número de características que os distinguiram. Primeiro, eram profundamente dedicados ao Senhor Jesus Cristo. Eram extremamente cristocêntricos. Numa certa ocasião, quando eu ministrava na Nicarágua, os cristãos Moravianos me deram uma placa de madeira com o selo de sua igreja. Traz um Cordeiro triunfante do livro de Apocalipse. Diz assim: “Nosso Cordeiro venceu; vamos segui-lo”. Os Moravianos pregavam Cristo. Zinzendorf aconselhava os missionários que saíam: “Vocês devem ir, direto, ao ponto e falar-lhes a respeito da vida e da morte de Cristo”. Os missionários primitivos tinham o costume de elaborar provas da existência de Deus, como se estivessem dando palestras teológicas. Zinzendorf apelou aos missionários para que simplesmente lhes contassem a história de Jesus. Há inúmeros relatos de como aquela história despertou corações dormentes que foram trazidos ao Salvador; segundo, os Moravianos, diferentemente dos pietistas primitivos, não eram altamente educados nem teologicamente treinados. Eram comerciantes. De fato, os dois primeiros missionários que foram enviados eram coveiros por profissão! As próximas duas pessoas que enviaram, um era carpinteiro e o outro, oleiro. Os Moravianos abriram o ministério ao leigo e a ministração às mulheres, antecipando J. Hudson Taylor nessa questão mais de cem anos antes; terceiro, criaram a estratégia missionária de fazedores de tendas (o missionário trabalhar e se auto-sustentar no país). Muitas pessoas pensam que o sistema de fazedores de tendas é coisa recente. Mas o movimento missionário Moraviano se baseava nisso. Além do mais, como pode uma vila de seiscentas pessoas sustentar duzentos missionários? Resposta: Eles trabalhavam para a sobrevivência. Zinzendorf dizia que trabalhar em fazenda e indústria prende muito as pessoas, mas o comércio lhes daria mais flexibilidade. Ele sentia que a prática de trabalho e o ensino que podiam dar nessa área não apenas levantaria o nível econômico do povo para onde eram os missionários enviados, mas também proveria meios de se fazer contato com aquela gente. O livro 'Lucro para o Senhor' relata como os Moravianos usaram o fazer tendas como estratégia para o trabalho missionário em meados de 1700; quarto, os Moravianos foram as pessoas que viviam na periferia da sociedade. Devido aos Moravianos terem sido pessoas sofredoras, podiam facilmente se identificar com aqueles que sofriam. Eles iam àqueles que eram rejeitados por outros. Dificilmente qualquer missionário seria mandado para a costa leste de Honduras ou Nicarágua. Essas partes da América Central eram inóspitas. Lá, contudo, estavam os Moravianos. Isso era característico da vocação missionária deles; quinto, eles se dirigiam a pessoas receptivas. Devido ao fato de os Moravianos crerem ser o Espírito Santo o “Missionário” primário, aconselhavam seus missionários a “procurarem as primícias. Procurarem aquelas pessoas que o Espírito Santo já havia preparado, e trazer-lhes as boas novas ”; sexto, eles colocavam o crescimento do reino de Cristo acima de uma expansão denominacional. Zinzendorf não pretendia exportar as divisões denominacionais da Europa. Ele se tornou um pioneiro ecumênico (entre cristãos), no melhor sentido do termo, 150 anos antes de qualquer um imaginar tal possibilidade; sétimo, a obra missionária Moraviana era regada de oração. Quando o avivamento espiritual ocorreu em 1727, começaram uma vigília de virada de relógio, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O livro devocional conhecido como Lemas Diários, que ainda tem sido publicado pela Igreja Moraviana, era o devocional mais amplamente usado entre os cristãos europeus. O ministério Moraviano era fortemente regado por oração (tiveram uma vigília de oração que durou um tempo de 100 anos literalmente - nota do tradutor).

Os Moravianos tinham trabalho missionário no Estado da Geórgia devido ao General Oglethorpe ter sido influenciado por Zinzendorf, que fazia parte de um grupo missionário de estudantes que começou em Halle. Quando João Wesley viajou para os Estados Unidos, seu navio enfrentou uma terrível tempestade. Wesley ficou super-abalado. Somente os Moravianos, que se mantinham num senso de paz com Deus, lhe encorajaram no pânico. Foram eles que lhe apresentaram a necessidade de um relacionamento pessoal com Cristo. Retornando para a Inglaterra, após um trabalho frustrado na Geórgia, disse: “fui para converter os índios, mas, quem, ó quem me converterá?” Ele foi para uma reunião num encontro de Aldersgate - um encontro dos Moravianos - durante o qual seu coração, segundo ele, foi “estranhamente aquecido” e assim encontrou segurança para a sua salvação. Foi para Herrnhut a fim de examinar o trabalho Moraviano, e, como resultado, ele padronizou a obra do Metodismo no modelo Moraviano. Assumiu como moto as palavras de Zinzendorf: “o mundo é minha paróquia”.

Os Moravianos também exerceram uma forte influência sobre William Carey, o qual teve grandes dificuldades em gerar sustento para a idéia de uma sociedade de missões. Aqui está um relato de como a fundação da sociedade missionária veio a acontecer. Numa noite, um pequeno grupo de 12 ministros e um leigo se reuniu com William Carey na espaçosa casa da viúva Wallace, conhecida por sua hospitalidade como a Hospedeira do Evangelho. Novamente, Carey fez pressão para a ação. Mas, novamente os irmãos oscilaram. Afinal, quem são esses homens? Ministros de Igrejas de pobres-feridos, para sustentar uma missão, tão assediadas de dificuldade, tão cheias de incertezas. No momento crucial, quando todas as esperanças pareciam se esvair, Carey tirou do bolso um livreto intitulado Periódico de Contos das Missões Moravianas. Com lágrimas nos olhos e com voz trêmula, afirmou: “se vocês apenas tivessem lido isto e soubessem como esses homens venceram todos os obstáculos por amor a Cristo, dariam um passo de fé”.

Foi a gota d’água! Os homens concordaram em agir. As atas da reunião registram a decisão deles de formar “A Sociedade Batista Particular para Propagação do Evangelho entre os pagãos”, também conhecida como a Sociedade Batista Missionária. Sua força repousa na motivação provida pelo relato dos missionários Moravianos.

Alguém, certa vez, perguntou a um Moraviano o que significa ser um Moraviano. Ele respondeu: “Ser um Moraviano e promover a causa global de Cristo são a mesma coisa”.

(Artigo: The Moravians and Missions, de Kenneth B. Mulholland - Professor de Missões e Estudos Ministeriais, do Departamento de Missões do Seminário de Colúmbia, Carolina do Sul. Fonte: Bibliotheca Sacra, abril de 1999 - Tradução do Rev. José João de Paula - secretário da APMT).
Revista Alcance - 3.º trim. 2003

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Histórias que você precisa conhecer - 4

Eu estendi minha mão e toquei a chama. Agora eu estou queimando e esperando por um sinal. – Evan Roberts, pregando na Capela de Moriah, Dezembro de 1903

Acima de tudo, uma sensação da presença e santidade de Deus impregnava cada área da experiência humana, em casa, no trabalho, nas lojas e nas tavernas. A eternidade parecia inevitavelmente próxima e real. – Efion Evans

Eu não sou a fonte deste avivamento. Eu sou apenas um agente entre o que vai ser uma multidão... Eu não sou aquele que está tocandos os corações de homens e mudando as vidas dos homens. Não sou eu, mas o Deus que opera em mim. – Evan Roberts, Smith's Weekly


O avivamento de Gales foi um dos mais impressionantes moveres de Deus de todos os tempos. Em poucos meses de avivamento, um país inteiro foi transformado, mais de cem mil pessoas aceitaram o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador, e a notícia foi espalhada ao redor do mundo.

O avivamento começou em outubro de 1904 na pequena cidade de Loughor, com Evan Roberts, um jovem de 26 anos. Wesley Duewel conta sobre o início do avivamento no seu livro "O Fogo do Reavivamento":

Os historiadores geralmente se referem ao reavivamento que começou na aldeia de Loughor no País de Gales como o ponto inicial do reavivamento. Evan Roberts foi o instrumento usado por Deus para inaugurar o reavivamento de 1904. Em 1891, aos treze anos de idade, Roberts começou a ter fome e sede, e orar por duas coisas importantes: para que Deus o enchesse com o Seu Espírito, e para que Deus enviasse o reavivamento ao País de Gales. Roberts fez talvez o maior investimento no banco de oração de Deus a favor do reavivamento que o Senhor desejava enviar. E talvez fosse essa a razão de Deus ter começado a onda internacional de reavivamentos no País de Gales – através de Evan Roberts.2
Evan Roberts tinha acabado de começar a cursar o seminário quando teve uma visão na qual Deus o chamava para voltar à sua pequena cidade e pregar para os jovens da sua igreja. Roberts já tivera outras experiências com Deus e estava convencido que Ele estava prestes a derramar um poderoso avivamento sobre o país de Gales. Mesmo assim, podemos imaginar que não foi fácil para ele voltar para casa depois de apenas quinze dias no seminário. Mas, na noite de domingo, 30 de outubro de 1904, durante o culto, Roberts teve uma visão dos seus amigos de infância e entendia que Deus estava falando para ele voltar para casa e evangelizar-los.

No dia seguinte Evan Roberts reuniu os jovens da igreja e começou a passar a sua visão para o avivamento. Ele ensinou que o povo orasse uma oração simples: "Envia o Espírito Santo agora, em nome de Jesus Cristo". Roberts também enfatizou quatro pontos fundamentais para o avivamento:

A confessão aberta de qualquer pecado não confessado
O abandono de qualquer ato duvidoso
A necessidade de obedecer prontamente tudo que o Espirito Santo ordenasse
A confessão de Cristo abertamente
Os cultos continuavam todos os dias e o fogo do avivamento começou a espalhar-se pela região.

Na primeira manhã daquela semana milagrosa, as pessoas se juntavam em grupos na rua principal de Gorseinon e a pergunta principal nos seus lábios foi, "Como você se sente agora? Você não se sente esquisito?" Nas suas mentes estavam gravadas as cenas dos cultos do Domingo quando, em cada capela, muitas pessoas pareciam ser subjugadas. As cenas se repetiam a cada dia e a alegria de Evan aumentou. O Reverendo Mathry Morgan de Llanon visitou uma noite e viu o avivalista "que quase dançava com alegria por causa de um que estava orando fervorosamente e que estava rindo enquanto orava, por ter ficado consciente que suas súplicas estavam prevalecendo. Mr Roberts mostrou sinais animados de uma alegria triunfante, em concordância com ele. Glórias a Deus por uma religião alegre."
Desse pequeno começo, um grande avivamento começou a varrer o norte do país de Gales. Cultos de avivamento começaram espontaneamente, muitas vezes antes da chegada do avivalista. A maioria dos líderes e ministros do avivamento foram jovens e adolescentes:

Evan Roberts tinha apenas vinte e seis anos de idade quando irrompeu o avivamento. Sua irmã, Mary, que foi uma parte tão importante da obra, tinha dezesseis. Seu irmão Dan e o futuro marido de Mary, Sydney Evans, estavam ambos com cerca de vinte anos. As "Irmãs Cantoras", que foram usadas grandemente, estavam entre as idades de dezoito e vinte e dois anos. Milhares de jovens se converteram e eram imediatamente enviados por toda a terra testificando da glória de Deus. Criancinhas tinham suas próprias reuniões de oração e testemunhavam ousadamente aos pecadores mais endurecidos. As capelas ficavam superlotadas de jovens.
O avivamento resultou na conversão de muitos jovens, que logo se empenharam na obra de evangelização. Crianças também foram usadas poderosamente no avivamento, ganhando muitos almas para Jesus. Novos convertidos lideravam grandes reuniões de oração e estudos Bíblicos.

Durante o avivamento os cultos continuavam quase sem parar, e a presença de Deus foi manifesta de uma forma especial. Grandes congregações, de até milhares de pessoas, foram movidos pelo Espírito a "cair aos pés simultaneamente para adorar em uníssono"; às vezes a glória do Senhor brilhava dos púlpitos com uma luz tão forte que "os evangelistas ou pastores fugiam dela para não serem completamente arrebatados".

Um jornalista de Londres que assistiu às reuniões ficou surpreso ao ver como os cultos prosseguiam quase sem liderança ou orientação humana. Hinos, leitura da Palavra, oração, testemunhos dos convertidos e breves exortações por várias pessoas sucediam-se segundo o Espírito guiava. Os grandes hinos da igreja eram cantados durante três quartos da reunião; a ordem reinava, embora mil ou duas mil pessoas estivessem presentes. Se alguém se demorava muito na exortação, outra pessoa começava um hino. Evan Roberts insistia continuamente: "Obedeçam ao Espírito", e o Espírito mantinha a reunião pacífica e ordeira.
O Reverendo R B Jones descreveu um culto, onde ele pregou a mensagem da salvação:

"Como um só homem, primeiro com um suspiro de alívio e depois com um grito de alegria delirante, toda a audiência ficou de pé... Todo recinto naquele momento parecia terrível com a glória de Deus – usamos a palavra 'terrível' deliberadamente; a presença santa de Deus era tão manifesta que o próprio orador sentiu-se dominado por ela; o púlpito onde se encontrava estava tão cheio com a luz de Deus que ele teve de retirar-se!"
Os efeitos do avivamento estenderam-se muito além dos cultos e reuniões de oração. Os bares e cinemas fecharam, as livrarias evangélicas venderam todos os seus estoques de Bíblias. O avivamento tornou-se manchete nos principais jornais do país. A presença de Deus "parecia ser universal e inevitável", invadindo não somente as igrejas e reuniões de oração, mas se manifestando também "nas ruas, nos trens, nos lares e nas tavernas" .

"Em muitos casos, os fregueses entravam nas tavernas, pediam bebidas e depois davam meia-volta e saíam, deixando-as intocadas no balcão. O sentimento da presença de Deus era tal que praticamente paralisava o braço que ia levar o copo à boca."
Evan Roberts trabalhou sem parar no avivamento. Ele não queria que as pessoas olhassem para ele, e muitas vezes ficava calado durante os cultos, preferindo que o Espírito Santo os dirigisse. Ele raramente falava com os jornalistas que vinham para escrever sobre o avivamento, e não permitia que tirassem fotografias dele.

Infelizmente, Evan, o "catalisador principal" do avivamento, não cuidou da sua própria saúde, tirando o tempo necessário para descansar. Ele começou a se sentir fisicamente exausto, vindo finalmente a ter um colapso, e em abril de 1906 retirou-se para a casa do Sr. e Sra. Penn-Lewis na Inglaterra. Evan nunca mais exerceu seu ministério de avivalista, e sem sua liderança, o avivamento logo se apagou.

Rick Joyner, no seu livro "O Mundo em Chamas", fala sobre o papel da Sra Jessie Penn-Lewis na vida do avivalista:

Parece provável que Jessie Penn-lewis tenha exercido uma parte significativa em levar o grande Avivamento do País de Gales a um fim prematuro, embora ela parecesse ter a melhor das intenções. Os relatos foram de que ela convenceu Evan Roberts a retirar-se do avivamento, porque achava que ele estava recebendo muita atenção, a qual deveria ir apenas para o Senhor...
Seria desonesto incriminar Jessie Penn-Lewis como a única mão que interrompeu o Avivamento Galês, embora muitos amigos e colaboradores de Evan Roberts tenham feito exatamente essa acusação. Evan Roberts deixou a obra e foi viver na casa de Penn-Lewis, onde ele se tornou efetivamente um eremita espiritual, nunca mais usado no ministério...
Depois de sair da liderança do avivamento, com sua saude bastante enfraquecida, Evan Roberts viveu uma vida de intercessão, escrevendo matérias para revistas evangélicas, e recebendo visitas. Alguns anos depois, junto com a Jesse Penn-Lewis, ele escreveu o livro "War on the Saints" (Guerra contra os Santos), em qual ele criticou o avivamento. Menos que um ano depois do lancamento do livro, Roberts o descreveu como sendo uma "arma falhada que tinha confundido e dividido o povo do Senhor."

O avivamento no país de Gales durou apenas nove meses, porém neste tempo marcou o mundo. Os frutos, os resultados do avivamento, foram bons: uma pesquisa feita seis anos depois do avivamento descobriu que 80% dos convertidos continuavam sendo membros das mesmas igrejas onde tiveram se convertido. Porém, isso não significa que os outro 20% tivessem se desviado, porque muitos se mudaram para missões independentes ou novas denominações.

Temos mais informações sobre o avivamento de Gales, incluíndo citações do Evan Roberts, em nossa comunidade online. Na área de download deste site, temos uma pequena gravação do Evan Roberts.


Pr Paul David Cull
Ministério Avivamento Já

Fonte


Que o Senhor Jesus abençoe a você e a toda sua familia! 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Histórias que você precisa conhecer - 3

John Wesley e o avivamento Wesleyano

 

"Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar" - John Wesley (respondendo à pergunta de como ele atraía as multidões)
"Eu considero todo o mundo como a minha paróquia; em qualquer parte que eu esteja, eu considero que é certo, correto e o meu sagrado dever declarar a todos que estejam dispostos a ouvir, as boas novas da salvação." - John Wesley
"Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo." - John Wesley
(Citações do livro "On Earth as it is in Heaven" por Stephen L Hill)
O Grande Reavivamento dos anos 1739 - 91 é freqüentemente chamado de Reavivamento Wesleyano. É que, embora Deus tivesse usado grandemente George Whitefield, os dois irmãos Wesley e dúzias de pregadores leigos para acender o fogo de reavivamento, John Wesley pregou em mais lugares, a mais pessoas e durante um maior número de anos do que os outros. Ele também fez mais para conservar o fruto do reavivamento. John Wesley foi claremente o líder escolhido por Deus para este impressionante despertamento espiritual. - Wesley Duewel, O Fogo de Reavivamento
John Wesley nasceu no dia 17 de junho de 1703, em Epworth, Lincolnshire, Inglaterra. Com dezessete anos ele começou estudar teologia na faculdade de Oxford, e recebeu sua diploma de bacharel em 1724 e seu doutorado em 1727. Ele foi consagrado ministro da igreja Anglicana (Igreja da Inglaterra) em 1724. John continuou na faculdade de Oxford, onde ele era membro do Conselho da Faculdade Lincoln e professor de grego.
Em 1729 Charles Wesley, o irmão de John, e mais dois estudantes começaram um pequeno grupo que se reunia para oração, estudo bíblico e encorajamento mútuo. John logo tornou-se o líder do grupo, que era chamado o "Clube Santo". Eles usavam um sistema metódico de auto-exame e auto-disciplina, e por este motivo foram chamados de 'metodistas' por alguns. O grupo nunca cresceu muito, variando entre 10 e 15 membros, com um máximo de 25. Um outro jovem chamado George Whitefield juntou-se ao grupo depois de alguns anos, tornando-se um grande amigo de John Wesley.
Em outubro de 1735 John e Charles Wesley viajavam para América como missionários, porém depois de um pouco mais que dois anos, John voltou a Inglaterra, em fevereiro de 1738, preocupado com sua própria salvação. "Fui para a América converter os índios", ele lamentou, "mas, oh, quem vai me converter?". Poucos meses depois, no dia 24 de maio, John teve uma experiência na qual ele obteve a certeza da sua salvação pelá fé. Poucos anos depois, John e outros membros do Clube Santo tiveram uma experiência poderosa de enchimento com o poder do Espírito Santo:
No dia do Ano Novo, 1739, John e Charles Wesley, George Whitefield e mais quatro membros do Clube Santo fizeram uma festa de amor [santa ceia] em Londres. 'Cerca de três da manhã, enquanto estávamos orando, o poder de Deus caiu tremendamente sobre nós, a tal ponto que muitos gritaram de alegria e outros caíram ao chão (vencidos pelo poder de Deus). Tão logo nos recobramos um pouco dessa reverência e surpresa na presença da Sua majestade, começamos a cantar a uma voz: "Nós te louvamos, ó Deus; Te reconhecemos como Senhor"'. Este evento foi chamado de Pentecoste Metodista. - Wesley Duewel, O Fogo de Reavivamento
A partir deste dia, um grande avivamento começou. Dentro de um mês e meio, George Whitefield estava pregando para multidões de milhares, com John Wesley fazendo o mesmo dentro de três meses. Com apenas 22 anos de idade, Whitefield começou a pregar ao ar livre:
As multidões aumentavam diariamente até chegar a vinte mil ouvintes. Os mais ricos ficavam sentados em seus coches e outros em seus cavalos. Alguns sentavam nas árvores e em toda parte o povo se reunia para ouvir Whitefield pregar. Todos eram às vezes levados a chorar, conforme o Espírito de Deus descia sobre eles.
Whitefield continuava insistindo com Wesley para ir a Bristol e ajudá-lo. Em abril, Wesley ficou ao lado de Whitefield em Kingswood, ainda questionando se era adequado falar fora do prédio da igreja. Naquela noite Whitefield pregou sobre o Sermão do Monte. De repente compreendeu que Jesus também pregara ao ar livre. Whitefield voltou a Londres e no dia seguinte Wesley pregou então a três mil ao ar livre em Kingswood. Ele permaneceu em Bristol durante dois meses, mais ocupado do que nunca. Seus cultos das 7 horas da manhã de domingo geralmente tinham de cinco mil a seis mil ouvintes.
Ali, para surpresa de Wesley, ele começou a observar o Espírito Santo convencendo poderosamente as pessoas de seus pecados enquanto pregava. Indivíduos bem vestidos, amadurecidos, repentinamente gritavam como se estivessem em agonia. Tanto homens como mulheres, dentro e fora dos prédios das igrejas, tremiam e caíam no chão, Quando Wesley interrompeu seu sermão e orava em favor deles, logo encontravam paz e rejubilavam-se em Cristo.
Um quacre [membro de uma seita evangélica], grandemente aborrecido com os gemidos e gritos das pessoas que eram convencidas de seus pecados, foi repentinamente atirado ao chão em profunda agonia por seus próprios pecados. Depois de Wesley ter orado, o quacre exclamou: "Agora sei que és um profeta do Senhor". Cenas similares ocorreram em Londres e Newcastle. Wesley não encorajava essas reações emocionais e declarou que poderia haver casos de fingimento. Ele falava sempre em voz calma e controlada, sem mostrar emoção. Mas reconheceu também que o poder de Deus estava operando, convencendo e transformando pessoa após pessoa.
Wesley Duewel, O Fogo de Reavivamento
Whitefield continuo pregando a milhares, na Inglaterra e nos Estados Unidos, até sua morte, aos 56 anos, em 1770. Ele e o John Wesley tiveram uma diferença de teologia, com o Whitefield se tornando calvinista e associando-se à igreja Presbiteriana, porém os dois permaneceram grandes amigos. Sabendo das suas diferenças doutrinárias, alguém perguntou a Whitefield se ele achava que iria ver o John Wesley no céu. "Temo que não", ele respondeu, "ele estará tão perto do trono eterno, e nos tão distantes, que quase não veremos ele".
O ministério de evangelismo do Wesley continuou a crescer, e ele começou a criar "sociedades de avivamento" nos lugares onde ele ministrava. Este grupos pequenos se reuniam para oração, encorajamento e estudo bíblico. No início Wesley encorajava os grupos a permanecer na Igreja na Inglaterra, mas diferenças com a igreja a respeita a seu estilo de pregação ao ar livre, sua mensagem de salvação pela fé, e sua utilização de leigos como pregadores e líderes das sociedades, levou ao estabelecimento da igreja Metodista.
John Wesley viajou extensivamento, na Inglaterra e na Ámerica, e o fogo de avivamento se espalhou rapidamente. Em agosto de 1770 havia 29.406 membros, 121 pregadores e 50 zonas na Inglaterra e 4 pregadores e 100 capelas nos Estados Unidos. Quando Wesley morreu, no dia 2 de março de 1791, havia mais de 120.000 metodistas nas suas sociedades. 

Pr Paul David Cull
Ministério Avivamento Já
http://www.avivamentoja.com/ 

 

sábado, 6 de agosto de 2011

Histórias que você precisa conhecer – 2


Smith Wigglesworth




Smith Wigglesworth (Menston, 8 de junho de 1859 — Wakefield, 12 de março de 1947) foi uma importante figura religiosa britânica, do fim do Século XIX, importante para a história do início do pentecostalismo.

Smith Wigglesworth (1859-1947), um inglês, nasceu em uma família pobre. Sua esposa, Polly, o ensinou a ler depois de casados em 1882, e ele nunca leu outro livro senão a Bíblia. Assim como no caso de outras pessoas que experimentaram milagres de cura, uma cura pessoal (peritonites) voltou a sua atenção à cura divina. Até que recebeu o batismo com o Espírito Santo, em 1907, ele tinha um negócio secular e ajudava sua esposa em uma missão. Ela era uma pregadora, e estava constantemente dando testemunho a outras pessoas, ganhando almas para o reino.
Anos depois, se tornou um homem de tal magnitude, que o evangelista de cura Oral Roberts, disse uma vez diante de outros companheiros evangelistas, “devemos a este homem uma dívida impossível de calcular.”
Durante seus cultos, Polly Wigglesworth pedia seu esposo para pregar, mas ele se desconcertava e desconcertava também aos que assistiam por seu medo de falar. Uma vez, os homens da congregação sentiram de impor as mãos sobre ele e orar. Apesar de seus melhores esforços e dos esforços que outros faziam, continuou sendo um fracassado orador. Finalmente, declarou que nunca falaria em público outra vez.
Entretanto, quando recebeu o batismo no Espírito Santo, sua vida foi transformada. Naquela época, sua esposa não cria no falar em línguas, e ela o desafiou a pregar no domingo seguinte, conhecendo a sua falta de habilidade lingüística. A unção caiu e ele falou com grande clareza e coragem. Polly estava tão surpreendida, que repetia gritando: “Esse não é o meu Smith… O que aconteceu com esse homem?” Rapidamente um simples trabalhador sem instrução foi transformado em um pregador de fé impressionante.
Wigglesworth entendia que a enfermidade e as doenças eram do diabo, de modo que foi conhecido pela maneira com que tratava as pessoas enfermas, em demonstrações físicas surpreendentes e emocionantes.
O evangelista Lester Sumrall lembra a primeira vez que foi testemunha de Smith Wigglesworth em ação. “Certa vez (Wigglesworth) conduzia um culto de cura na Califórnia, quando lhe trouxeram um homem com câncer, em estado terminal. Ele estava tão perto da morte que o médico que o ajudava foi com ele para monitorar seus sinais vitais. Wigglesworth, com sua natureza rude, disse ao médico: “Que está acontecendo?”O doutor lhe respondeu: “Ele está morrendo de câncer.” Sem dar tempo de nada, Smith bateu no estômago do homem com tal força que ele desmaiou. O médico rapidamente o atendeu e gritou: “Ele está morto! Você o matou! A família exigirá explicações!”Smith Wigglesworth não se moveu. Ele simplesmente respondeu: “Ele está curado.” E sem preocupar-se, seguiu orando por outras pessoas no culto. Dez minutos mais tarde, o homem – com sua roupa de hospital – chegou pelo corredor, procurando a Wigglesworth, totalmente curado. Isto não impressionou nem um pouco a Smith Wigglesworth, pois era o que ele esperava. E continuou orando pelos outros que necessitavam.”
Em outra ocasião, no Colégio Sião, uma mulher paralítica, frágil, chegou para que orassem por ela. Smith Wigglesworth orou quase com impaciência. Como era habitual, imediatamente, ordenou que caminhasse. Ela, duvidando, começou a olhar ao redor. Sem nenhum tipo de aviso, Wigglesworth foi por detrás dela e a empurrou.
Quando ela, tropeçando, começou a correr, ele a seguia pelo corredor gritando: “Corra, senhora, corra!” Ela correu bastante para sair do alcance dele. Eventualmente, conseguiu alcançar a saída e correu pelas ruas, aparentemente tão assustada quanto curada. Quando o evangelista começou a orar pela próxima pessoa, o homem mudou rapidamente o seu pedido – de uma úlcera no estômago para uma suave dor de cabeça.
Albert Hibbert, o amigo mais próximo de Smith Wigglesworth, cita o evangelista dizendo: “Eu não maltrato as pessoas, eu maltrato o diabo. E se as pessoas se põem no caminho, não posso fazer nada… Não se pode tratar gentilmente com o diabo, nem dar a ele conforto; porque ele gosta muito da comodidade.”
Smith Wigglesworth também passou por tempos de sofrimento: perdeu sua amada esposa seis anos depois de sua transformação em um grande homem de fé, com uma unção especial. Em 1913, sua esposa Polly morreu sem nenhuma razão aparente, quando estava a caminho de uma reunião em que ela iria pregar.
Quando voltou a sua casa, Wigglesworth foi ao quarto onde se encontrava, na cama, o corpo de sua esposa morta. Ele repreendeu o espírito de morte, e ordenou à vida, que regressasse.
Polly abriu os seus olhos e disse: “Por que você fez isso, Smith?” Ela não desejava voltar à terra. E depois de uma conversa carinhosa, ele a deixou ir para o céu.
Catorze pessoas foram documentadas como ressuscitadas, voltando à vida de entre os mortos, através do ministério de Wigglesworth. Ainda que, de forma não oficial, esse registro poderia chegar a vinte e três pessoas. Não existia nada tão grande para a sua fé. Desde dores de cabeça a cânceres, era tudo o mesmo para ele. Há algo demasiadamente difícil para Deus?

Que Deus abençoe a você e a toda sua familia!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O que é graça?



Via de regra geral, graça é um favor imerecido... algo que você merecia e não ganhou, o que me leva a fazer a pergunta que não quer calar: O que eu merecia?
Pra responder essa pergunta precisamos relembrar quem éramos (passado) nós, tínhamos natureza pecaminosa, mentirosos, ladrões, etc etc etc...o que merecíamos por essas atitudes? Os maiores castigos que você possa imaginar...mas graças a Deus que Ele, em Seu infinito amor, pagou o preço por nós, sofreu as dores que eram nossas...tomou nosso lugar na cruz e pagou o preço por nós....
Pense nisso todos os dias quando levantar de cama...
Que você e sua família sejam grandemente abençoado...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Histórias que você precisa conhecer - 1

O avivamento da rua Azusa.


O avivamento da Rua Azusa, na cidade de Los Angeles - EUA tem marcado profundamente o Cristianismo dos últimos cem anos. Hoje, dos 660 milhões de cristãos protestantes e evangélicos no mundo, 600 milhões pertençam a igrejas que foram diretamente influenciadas pelo avivamento da Rua Azusa (Pentecostais, Carismáticos, Terceira-Onda etc.). 1
O início do avivamento começou com o ministério do Charles Fox Parham. Em 1898 Parham abriu um ministério, incluindo uma escola Bíblica, na cidade de Topeka, Kansas. Depois de estudar o livro de Atos, os alunos da escola começaram buscar o batismo no Espírito Santo, e, no dia 1° de janeiro de 1901, uma aluna, Agnes Ozman, recebeu o batismo, com a manifestação do dom de falar em línguas estranhas. Nos dias seguintes, outros alunos, e o próprio Parham, também receberam a experiência e falaram em línguas. 2
Nesta época, as igrejas Holiness ("Santidade"), descendentes da Igreja Metodista, ensinaram que o batismo no Espírito Santo, a chamada "segunda benção", significava uma santificação, e não uma experiência de capacitação de poder sobrenatural. Os dons do Espírito Santo, tais como falar em línguas estranhas, não fizeram parte da sua teologia do batismo no Espírito. A mensagem do Parham, porém, foi que o batismo no Espírito Santo deve ser acompanhado com o sinal miraculoso de falar em línguas.
Parham, com seu pequeno grupo de alunos e obreiros, começou pregar sobre o batismo no Espírito Santo, e também iniciou um jornal chamado "The Apostolic Faith" (A Fé Apostólica). Em Janeiro de 1906 ele abriu uma outra escola Bíblica na cidade de Houstan, Texas.
Um dos alunos esta escola foi o William Seymour. Nascido em 1870, filho de ex-escravos, Seymour estava pastoreando uma pequena igreja Holiness na cidade, e já estava orando cinco horas por dia para poder receber a plenitude do Espírito Santo na sua vida.
Seymour enfrentou as leis de segregação racial da época para poder freqüentar a escola. Ele não foi autorizado ficar na sala de aula com os alunos brancos, sendo obrigado a assistir as aulas do corredor. Seymour também não pude orar nem receber oração com os outros alunos, e conseqüentemente, não recebeu o batismo no Espírito Santo na escola, mesmo concordando com a mensagem.
Uma pequena congregação Holiness da cidade de Los Angeles ouviu sobre Seymour e o chamou para ministrar na sua igreja. Mas quando ele chegou e pregou sobre o batismo no Espírito Santo e o dom de línguas, Seymour logo foi excluído daquela congregação.
Sozinho na cidade de Los Angeles, sem sustento financeiro nem a passagem para poder voltar para Houston, Seymour foi hospedado por Edward Lee, um membro daquela igreja, e mais tarde, por Richard Asbery. Seymour ficou em oração, aumentando seu tempo diário de oração para sete horas por dia, pedindo que Deus o desse "aquilo que Parham pregou, o verdadeiro Espírito Santo e fogo, com línguas e o amor e o poder de Deus, como os apóstolos tiveram."1
Uma reunião de oração começou na casa da família Asbery, na Rua Bonnie Brae, número 214. O grupo levantou uma oferta para poder trazer Lucy Farrow, amiga de Seymour que já tinha recebido o batismo no Espírito Santo, da cidade de Houston. Quando ela chegou, Farrow orou para Edward Lee, que caiu no chão e começou falar em línguas estranhas.
Naquela mesma noite, 9 de abril de 1906, o poder do Espírito Santo caiu na reunião de oração na Rua Bonnie Brae, e a maioria das pessoas presentes começaram falar em línguas. Jennie Moore, que mais tarde se casou com William Seymour, começou cantar e tocar o piano, apesar de nunca tiver aprendido a tocar.
A partir dessa noite, a casa na Rua Bonnie ficou lotada com pessoas buscando o batismo no Espírito Santo. Dentro de poucos dias, o próprio Seymour também recebeu o batismo e o dom de línguas.
Uma testemunha das reuniões na Rua Bonnie Brae disse:
Eles gritaram durante três dias e três noites. Era Páscoa. As pessoas vieram de todos os lugares. No dia seguinte foi impossível chegar perto da casa. Quando as pessoas entraram, elas caiaram debaixo do poder de Deus; e a cidade inteira foi tocada. Eles gritaram lá até as fundações da casa cederam, mas ninguém foi ferido. Durante esses três dias havia muitas pessoas que receberam o batismo. Os doentes foram curados e os pecadores foram salvos assim que eles entraram.1

Rua Azusa, 312

Sabendo que a casa na Rua Bonnie Brae estava ficando pequena demais para as multidões, Seymour e os outros procuravam um lugar para se reunir. Eles acharam um prédio, na Rua Azusa, número 312, que tinha sido uma igreja Metodista Episcopal mas, depois de ser danificado num incêndio, foi utilizado como estábulo e depósito. Depois de tirar os escombros, e construir um púlpito de duas caixas de madeira e bancos de tábuas, o primeiro culto foi realizado na Rua Azusa no dia 14 de abril de 1906.
Muitos cristãos na cidade de Los Angeles e cidades vizinhas já estavam esperando por um avivamento. Frank Bartleman e outros estiveram pregando e intercedendo por um avivamento como aquilo que Deus estava derramando sobre o país de Gales.
Num folheto escrito em novembro de 1905, Barteman escreveu:
A correnteza do avivamento está passando pela nossa porta... O espírito de avivamento está chegando, dirigido pelo sopro de Deus, o Espírito Santo. As nuvens estão se juntando rapidamente, carregadas com uma poderosa chuva, cuja precipitação demorará apenas um pouco mais.
Heróis se levantarão da poeira da obscuridade e das circunstâncias desprezadas, cujos nomes serão escritos nas páginas eternas da fama Celestial. O Espírito está pairando novamente sobre a nossa terra, como no amanhecer da criação, e o decreto de Deus saía: "Haja luz"...
Mais uma vez o vento do avivamento está soprando ao redor do mundo. Quem está disposto a pagar o preço e responder ao chamado para que, em nosso tempo, nós possamos viver dias de visitação Divina?3
O pastor da Primeira Igreja Batista, Joseph Smale, visitou o avivamento em Gales, e reuniões de avivamento continuavam para alguns meses na sua igreja, até que ele foi demitido pela liderança. Bartleman escreveu e recebeu cartas de Evan Roberts, o líder do avivamento de Gales. Mas o avivamento começou com o pequeno grupo de oração dirigido por Seymour. Depois de visitar a reunião na Rua Bonnie Brae, Bartleman escreveu:
Havia um espírito geral de humildade manifesto na reunião. Eles estavam apaixonados por Deus. Evidentemente o Senhor tinha achado a pequena companhia, ao lado de fora como sempre, através de quem Ele poderia operar. Não havia uma missão no país onde isso poderia ser feito. Todas estavam nas mãos de homens. O Espírito não pôde operar. Outros mais pretensiosos tinham falhado. Aquilo que é estimado por homem foi passado mais uma vez e o Espírito nasceu novamente num "estábulo" humilde, por fora dos estabelecimentos eclesiásticos como sempre.3
Interesse nas reuniões na Rua Azusa aumentou depois do terrível terremoto do dia 18 de abril, que destruiu a cidade vizinha de San Francisco. Duras críticas das reuniões nos jornais da cidade também ajudavam a espalhar a noticia do avivamento.
Como no avivamento de Gales, as reuniões não foram dirigidas de acordo com uma programação, mas foram compostos de orações, testemunhos e cânticos espontâneos. No jornal da missão, também chamado "The Apostolic Faith", temos a seguinte descrição dos cultos:
"As reuniões foram transferidas para a Rua Azusa, e desde então as multidões estão vindo. As reuniões começam por volta das 10 horas da manhã, e mal conseguem terminar antes das 20 ou 22 horas, e às vezes vão até as 2 ou 3 horas da madrugada, porque muitos estão buscando e outros estão caídos no poder de Deus. As pessoas estão buscando no altar três vezes por dia, e fileiras e mais fileiras de cadeiras precisam ser esvaziadas e ocupadas com os que estão buscando. Não podemos dizer quantas pessoas têm sido salvas, e santificadas, e batizadas com o Espírito Santo, e curadas de todos os tipos de enfermidade. Muitos estão falando em novas línguas e alguns estão indo para campos missionários com o dom de línguas. Estamos buscando mais do poder de Deus."4
Frank Bartleman também escreveu sobre os cultos na Rua Azusa:
O irmão Seymour normalmente se sentou atrás de duas caixas de sapato vazias, uma em cima da outra. Ele acostumava manter sua cabeça dentro da caixa de cima durante a reunião, em oração. Não havia nenhum orgulho lá. Os cultos continuavam quase sem parar. Almas sedentas poderiam ser encontradas debaixo do poder quase qualquer hora, da noite ou do dia. O lugar nunca estava fechado nem vazio. As pessoas vieram para conhecer Deus. Ele sempre estava lá. Conseqüentemente, foi uma reunião contínua. A reunião não dependeu do líder humano. Naquele velho prédio, com suas vigas baixas e chão de barro, Deus despedaçou homens e mulheres fortes, e os juntou novamente, para a Sua glória. Era um processo tremendo de revisão. O orgulho e a auto-asserção, o ego e a auto-estima, não podiam sobreviver lá. O ego religioso pregou seu próprio sermão funerário rapidamente.
Nenhum assunto ou sermão foi anunciado de antemão, e não houve nenhum pregador especial por tal hora. Ninguém soube o que poderia acontecer, o que Deus faria. Tudo foi espontâneo, ordenado pelo Espírito. Nós quisemos ouvir de Deus, através de qualquer um que Ele poderia usar para falar. Nós tivemos nenhum "respeito das pessoas." O rico e educado foi igual ao pobre e ignorante, e encontrou uma morte muito mais difícil para morrer. Nós reconhecemos somente a Deus. Todos foram iguais. Nenhuma carne poderia se gloriar na presença dele. Ele não pôde usar o opiniático. Essas foram reuniões do Espírito Santo, conduzidas por Deus. Teve que começar num ambiente pobre, para manter o elemento egoísta, humano, ao lado de fora. Todos entraram juntos em humildade, aos pés dele.3
Notícias sobre as reuniões na Rua Azusa começaram a se espalhar, e multidões vierem para poder experimentar aquilo que estava acontecendo. Além daqueles que vierem dos Estados Unidos e da Canadá, missionários em outros países ouvirem sobre o avivamento e visitavam a humilde missão. A mensagem, e a experiência, "Pentecostal" foi levada para as nações. Novas missões e igrejas Pentecostais foram estabelecidas, e algumas denominações Holiness se tornaram igrejas Pentecostais. Em apenas dois anos, o movimento foi estabelecido em 50 nações e em todas as cidades nos Estados Unidos com mais de três mil habitantes.5
A influência da missão da Rua Azusa começou a diminuir à medida que outras missões e igrejas abraçaram a mensagem e a experiência do batismo do Espírito Santo. Uma visita de Charles Parham à missão, em outubro de 1906, resultou em divisão e o estabelecimento de uma missão rival. Parham não se conformava com a integração racial do movimento, e criticou as manifestações que ele viu nas reuniões.
Em setembro de 1906 a Missão da Rua Azusa lançou o jornal "The Apostolic Faith", que foi muito usado para espalhar a mensagem Pentecostal, e continuou até maio de 1908, quando a mala direta do jornal foi indevidamente transferida para a cidade de Portland, assim efetivamente isolando a missão de seus mantenedores.
O avivamento da Rua Azusa durou apenas três anos, mas foi instrumental na criação do movimento Pentecostal, que é o maior segmento da igreja evangélica hoje. William H. Durham recebeu seu batismo no Espírito Santo em Azusa, formando missionários na sua igreja em Chicago, como E. N. Bell (fundador da Assembleia de Deus dos EUA), Daniel Burg (fundador da Assembleia de Deus no Brasil) e Luigi Francescon (fundador da Congregação Cristã no Brasil).6



Pr. Paul David Cull
Ministério Avivamento Já


Fonte